Todos os direitos reservados. Copyright ©2014-2019.

  • Facebook Reflexão

Siga-nos no Facebook e no Instagram

Menores distâncias para a educação no Brasil

November 13, 2014

A educação a distância no Brasil ainda tem deficiências e é pouco explorada como alternativa para suprir a demanda de ampliação educacional à sociedade

 

Eduardo de Sena Agualuz* 

REVISTA ESTAÇÕES

 

Preocupa-me o entendimento gerado e disseminado sobre as práticas de educação a distância no Brasil. Externo minha preocupação pelo simples fato da EaD ainda ser vista como um mero meio de tráfego de “conteúdo” para áreas afastadas dos grandes centros e não como o mecanismo capaz de contribuir para a diminuição do déficit educacional de uma significativa parcela da nossa população.

 

O entendimento tanto do governo, como dos agentes educacionais e da própria sociedade, é reduzido diante das possibilidades presentes no processo de educação a distância. A começar pelo fato de não se respeitar a relação da experiência com a aprendizagem e tão pouco o histórico e o conhecimento dos indivíduos que se utilizam da EaD. Outro ponto é não considerar as aplicações e as práticas possíveis para o uso da ferramenta diante dessas experiências e desses saberes já vivenciados por cada pessoa. Governos e agentes educacionais promovem simplesmente medidas desesperadas, com o intuito de camuflar o falido sistema educacional brasileiro, vendendo a "EaD" como a tábua de salvação para a caótica realidade.

 

É pueril também a forma que se trata a EaD, por exemplo, diante das enormes possibilidades propagadas pela rede mundial de computadores. A internet é o grande meio para o transporte e para a condução de conteúdos neste século, bem como a arena de mediação do debate das novas discussões. Porém, o que se vê não é o uso dos caminhos dispostos na rede, mas sim uma pausterização dos atuais cursos ofertados. Os mesmos se apresentam fechados e notadamente, pelo menos em sua maioria, embalados para uma distribuição fast-food, dispostos em “prateleiras virtuais”, numa "degustação" rápida, e sem uma simples consulta “ao modo de fazer”. 

 

É preciso questionar essa apliação dada à EaD no Brasil e convido a uma reflexão real de como a educação a distância, de forma planejada e prática, pode ser construída colaborativamente e ajudar a expandir o aprendizado em território nacional, aprofundando temas e capacitando saberes.

 

Diminuindo distâncias

Se olharmos atentamente, veremos que o processo educacional na contemporaneidade não permite mais a difusão dura e tácita do ensinar, quem dirá ensinar por meio de mecanismos a distância.

 

O ensinar deve abrir espaço para o aprendizado e o mesmo será vislumbrado em um processo educacional construído em rede, por várias mãos e olhos curiosos à diversidade das relações humanas. Quando qualquer um de nós hoje assumi o papel de alumni (desprovido de luz), quase sempre encontramos no iluminar das telas um caminho com respostas ou possibilidades de vivenciar o aprender. Nas telas, boa parte das barreiras antes intransponíveis ao aprendizado agora se desfazem, não importando mais a distância física, social ou cultural.

 

Assim, o primeiro passo é reconhecer as infinitas relações construídas por meio da word wide web, sobretudo como rede colaborativa de conhecimento, estabelecida como memória virtual da nossa sociedade. Se formos capazes de compreender e interagir com as diversas ferramentas presentes em seu ciberespaço, seremos capazes de absorver outras distâncias ainda mais significativas, abrindo caminho para novas possibilidades de aprendizado.

 

Comprometimento

Evidentemente, os pilares bases da educação são necessários mesmo num mar de conhecimento digital posto a poucos clicks. Também não delego pura e simplesmente a EaD a solução para a diminuição destas distâncias na educação. Essa reflexão é sobre a significativa parcela de contribuição que ela, a EaD, pode dar para a ampliação do acesso a educação no Brasil e que deve ser feita também com comprometimento, disciplina e desprendimento em se envolver com os processos incutidos no educar, sobretudo em um momento no qual os principais indíces e pesquisas apontam para a já sabida deficiência do nosso sistema educacional.

 

Desse modo, o segundo passo é compreender que um novo processo do conhecimento se coloca diante de nós. Na modernidade, deixamos a cadeira cativa de expectadores e receptores do conhecimento para sermos transformadores e agentes diretos de todo o processo educacional. Logo, a EaD colabora com esse nosso atual papel de protagonistas da construção das relações seja de aprendizado, de vivência ou de ação social na contemporaneidade.

 

A título de conclusão

Percebesse ainda o fato de não haver o devido respeito às biografias, às histórias e às regionalidades contidas no contexto da sociedade brasileira, quanto ao processo que envolve a EaD e todo o modelo de construção educacional. Reforço a reflexão de que a postura adotada por governos, agentes educacionais e, em muitos momentos, da própria sociedade, não é a adequada no processo de se educar. Trata-se de um abismo que separa os modelos implantados dos modelos necessários.

 

Todavia, há exemplos já bem sucedidos e que atingem uma parcela significativa da população, por conta de iniciativas como, por exemplo, as realizadas pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC), de Minas Gerais, o SEBRAE, ou mesmo a Fundação Itaú Social, embora ainda para fins específicos. Possivelmente plataformas desenvolvidas por gigantes da informática como a Microsoft sejam um modelo mais próximo do que realmente necessitamos. O portal "Educadores Inovadores" mostra-se como um exemplo entusiástico de interação e de liberdade de criação capaz de dialogar com as novas e imprescindíveis linguagens.

 

O foco deve ser a construção de um modelo de EaD que amplie a capacidade de aprendizagem individual e coletiva, possibilitando assim a emancipação dos cidadãos em suas ações decisórias do dia-a-dia. Penso que se relegarmos essa janela de ação, empobreceremos ainda mais nosso modelo educacional, aprisionando-o em espaços físicos das salas de aula; uma temeridade, visto que as grandes conferências de partilha e multiplicação do saber já ocorrem a revelia nos fóruns e nos espaços sociais da vida e da internet.

 

Aliás, o acesso ao mundo digital é um fator decisivo à ampliação social e à diminuição das desigualdades, pois, muito embora a rede seja virtual, as relações nela são reais e geradas por cada um de nós, fazendo com que, inegavelmente, grande parte da vida atual aconteça no ciberespaço. Essa, sem dúvida, é a nossa grande busca e a EaD tem um papel chave na criação de um elo entre a modernidade e a aprendizagem, o qual não podemos descartar.

 

*Eduardo de Sena Agualuz é bacharel em Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), especialista em Tendências da Comunicação Digital pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), especialista em Investimento Social Privado pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e pós-graduado em Didática e Metodologia do Ensino Superior pela Escola Paulista de Negócios (EPN), com extensão pela Universidade de Havana - Cuba. Educador há 20 anos, é vencedor do Troféu Paulo Freire, o Prêmio da Educação (1999), e CEO e filantropo da Fundação Euzébio Leandro.

 

 

Revista Estações. Todos os direitos reservados. Copyright ©2014-2017.

Nenhum texto pode ser reproduzido sem autorização da Fundação Euzébio Leandro.

Please reload

Featured Posts

Encontros de Brincar

May 29, 2019

1/9
Please reload

Recent Posts

April 6, 2015

February 7, 2015

December 22, 2014

November 14, 2014

Please reload

Archive
Please reload

Search By Tags