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É uma Conversa

April 6, 2015

Ao refletir sobre obra de autor norte-americano, nosso CEO fala sobre o equívoco da "sofisticação" da comunicação e nos faz um convite a "aprender a naturalidade" para a eficiência do nosso diálogo.

 

Eduardo de Sena Agualuz* 

REVISTA ESTAÇÕES

 

De alguma maneira, o modo como os meios contemporâneos de comunicação atuam, ou mesmo a forma como cuidadosamente encaramos a comunicação nos dias atuais, pode nos enganar quanto à necessidade de uma estrutura complexa para interação, diante da naturalidade com que ocorrem as relações humanas.

 

Ao revisitar a obra infanto-juvenil “É um Livro”, do norte-americano Lane Smith, publicada em 2010, pude rememorar a clareza do autor ao discorrer, com simplicidade e criatividade, sobre os ritos modernos da comunicação na era dos tablets, notebooks e smartphones, opostas a singeleza e a abrangência de um livro.

 

Os personagens da história: um burrinho, um macaco e um pequeno ratinho, travam um sensível diálogo em que o burrinho, totalmente “conectado”, e o macaco, imerso no universo da leitura, contrapõem-se entre a modernidade dos aparelhos eletrônicos e as “bucolizadas” imagem e mensagem do livro. O ratinho surge arteiramente do chapéu do macaco, quando este é interpelado pelo burrinho sobre a falta de um “mouse” no “excêntrico aparelho” segurado pelo primata, e ao final do texto para reforçar que o tão enigmático “gadget” trata-se simplesmente de um livro.

 

Ademais, todas as questões tecnológicas do burrinho feitas ao macaco sobre o livro como: é um blog? Manda mensagem? Entra no Twitter? Ou se precisa de senha? são respondidas com um sonoro e respeitoso: “É um Livro”.

 

Em belas ilustrações, pontuadas por um diálogo em que a fonte utilizada para marcar as falas do burrinho apresenta-se em um bastão moderno*, enquanto as do macaquinho são vistas em um garamond elegantemente serifado*, a obra auxilia o leitor em seu discurso, chamando-o à importância e à beleza das “pequenas grandes coisas” expressas pela “linguagem nossa de cada dia”.

 

“É um Livro” ficou em 2010 mais de seis semanas na lista dos livros mais vendidos do jornal The New York Times e o autor Lane Smith foi condecorado com a Caldecott Medal (Medalha Caldecott), concedida anualmente pela Association for Library Service to Children, uma divisão da American Library Association, ao ilustrador do mais destacado livro ilustrado estadunidense para crianças publicado naquele ano.

 

Aliás, o livro de Lane é uma bela maneira de demonstrar o que costumo dizer aos meus alunos, amigos, familiares ou mesmo colegas de trabalho, quando me perguntam sobre qual a melhor forma de falar em público, ou de se comunicar em redes, ou de se expressar em um e-mail ou em uma reunião.

 

Além da importância de alguns procedimentos técnicos, ou de um cuidado maior com o idioma de acordo com a interação proposta, a “dica infalível” normalmente surpreende a muitos, quase incrédulos de que a naturalidade é a melhor maneira de se comunicar.

 

Posto como um aprendizado, o ponto central de um diálogo não exigirá um alto nível de sofisticação, mas sim um controle emocional pautado pela simplicidade de ser quem você é.

 

Assim, não se apegue tanto as “fórmulas” ou as “senhas mágicas” presentes na tecnologia ou nas bibliografias mais acuradas sobre o assunto, sem antes trabalhar a sua naturalidade. Afinal, comunicar só depende das pessoas envolvidas em seu contexto. “É uma Conversa”. Ou como simplesmente diria Lane Smith: “É um Livro”.

 

*Garamond, serifa e bastão são nomenclaturas para o “estilo” das fontes utilizadas na escrita.

 

*Eduardo de Sena Agualuz é bacharel em Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), especialista em Tendências da Comunicação Digital pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), especialista em Investimento Social Privado pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e pós-graduado em Didática e Metodologia do Ensino Superior pela Escola Paulista de Negócios (EPN), com extensão pela Universidade de Havana - Cuba. Educador há 20 anos, é vencedor do Troféu Paulo Freire, o Prêmio da Educação (1999), e CEO e filantropo da Fundação Euzébio Leandro.

 

 

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