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A Coragem de Brincar

May 21, 2015

Em homenagem a Semana Mundial do Brincar, promovida pela Aliança Pela Infância, nosso CEO e Filantropo, Eduardo de Sena Agualuz  convida para uma singela reflexão sobre o valor do brincar para a vida e para o aprendizado das crianças.

 

Eduardo de Sena Agualuz* 

REVISTA ESTAÇÕES

 

Quando falamos em “brincar” e em “expressões” típicas da criança e da infância, é natural que façamos um paralelo com os benefícios e as implicações que cada atividade desempenhada nesta fase possa ou não proporcionar à base de crescimento e de maturidade ao longo da vida.

 

Em uma análise científica, a professora e bióloga Vera Rita da Costa, em artigo publicado na revista Ciência Hoje, em outubro de 2013, mostra que para a neurociência, e para a biologia evolutiva, “o brincar teria a função vital e adaptativa de fomentar o pleno desenvolvimento da criança em seus múltiplos e variados aspectos, sobretudo do ponto de vista social e cognitivo, e o faria estimulando a aprendizagem por meio das experiências que propicia”.

 

Ludicamente, podemos considerar que esse desenvolvimento social e cognitivo se deva, tomando como base as incontáveis possibilidades presentes no campo da “imaginação”, a uma capacidade intrínseca da infância de gerar nos indivíduos habilidades consideradas impossíveis pela lei da física, da química ou de qualquer ciência que se proponha a entender e a explicar a dinâmica do nosso mundo.

 

Para pensarmos sobre a força destas sensíveis "habilidades" da infância, eis uma pequena reflexão sobre o "mundo da criança" e sobre como nós adultos vemos esse mundo:

 

Na infância, somos capazes de levantar carros, de voar, de atravessar paredes, de derrotar monstros ou mesmo sobreviver meses no deserto sem tomar uma única gota d’água, numa clara demonstração das incríveis habilidades que possuimos nesta fase da vida. Superpoderes que movem e comovem a criança e a infância em si.

 

Talvez, nossos superpoderes desapareçam com o tempo, ou diminuam à medida que a infância se distancia de nós. É fato que ficamos mais fracos, deixamos de levantar coisas e até de voar. Mais interessante é como, diante desta nova condição, nos apavoramos ao ver as incríveis habilidades que as crianças têm e nos preocupamos com cada gesto delas, em um temor de que se machuquem, assim como agora nos machucamos.

 

Em muitos momentos, esquecemos que a infância é dotada desses superpoderes, capazes de atravessar situações que em poucos minutos nos limitariam pelo resto da vida.

 

Obviamente, também estaremos sempre cautelosos, cuidando para que os nossos heróis possam ter um voou tranquilo, uma batalha justa ou mesmo não se sujem muito para impedirem a destruição do planeta.

 

Reaprenderemos ainda o quão forte é a capacidade de brincar e de que o aprendizado e a infância têm o amor como sua maior força motriz. Aliás, tenho comigo que o aprendizado, assim como a infância, são íntimos do amor, pois ambos nascem e residem no único lugar onde somos livres das “interjeições”: o coração. Logo, tenho a convicção de que o aprender é uma das mais belas formas de se amar, assim como amar é uma das mais belas formas de se aprender, tendo a infância sempre como o verde quintal no qual ambos, amor e aprendizado, florescem e se renovam.

 

A Semana Mundial do Brincar nos convida a pensar sobre a importância da brincadeira e do brincar em seus aparelhos adaptativos e de fomentos cognitivos, como frisamos no início do texto a partir da citação da bióloga Vera Rita. Todavia, a semana nos convida ainda mais a resgatar essa capacidade do impossível presente na infância, misturada a generosas doses de coragem, de criatividade e de resiliência.

 

Apresentemos claramente e de forma embasada à sociedade o valor único do brincar para a construção intrusa de cada indivíduo. Contudo, firmemos ainda mais o valor do brincar em sua universalidade, em sua capacidade de libertação e de autoafirmação da identidade, a fim de que todos nós restauremos nossa condição de infância e passemos a novamente fazer e criar coisas extraordinárias.

 

Deixemos a fragilidade de lado, recuperemos nossos melhores poderes e voltemos a voar juntos, crianças e adultos, no lindo céu azul dos sonhos e das possibilidades. Coragem... Nosso único desejo. E brinquemos.

 

 

*Eduardo de Sena Agualuz é bacharel em Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), especialista em Tendências da Comunicação Digital pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), especialista em Investimento Social Privado pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e pós-graduado em Didática e Metodologia do Ensino Superior pela Escola Paulista de Negócios (EPN), com extensão pela Universidade de Havana - Cuba. Educador há 20 anos, é vencedor do Troféu Paulo Freire, o Prêmio da Educação (1999), e CEO e filantropo da Fundação Euzébio Leandro.

 

 

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Nenhum texto pode ser reproduzido sem autorização da Fundação Euzébio Leandro.

 

 

 

 

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